A arte de bem limpar a todo o voto...



Tirocínio à vista desarmada para Primeiro-Ministro

Entre Francisco Assis e Rui Rio, eu, decepcionado e indignado com a surpreendente cambalhota "socialista" e ciente do tom da absoleta cassete lengalengante, a par da maioria dos sobreviventes do burgo tripeiro, sequer hesitei. No entanto, o meu voto entrou na urna, também, às cambalhotas. Não simpatizava com a expressão ácida do dinâmico presidente da bela Câmara Municipal da minha cidade, embora intimamente lhe reconhecesse razão na atitude do «pão-pão-queijo-queijo» e quiçá, no lugar dele, brotasse ácido mais estragado ainda sobre a sincopada vituperação.

Hélas-Heureca: implantada a maioria decisiva, depreendendo que a esferográfica do Presidente - agora, na minha opinião, com meritória letra maiúscula - esteve e está no cerne do «explosivo» estaleiro que anima de estóico labor o centro da cidade, absorvo num ápice a complexidade dos problemas que se levantam e, mesmo que tome três banhos por dia, aceito como dádiva celeste o benquisto pó que desde o dia dos enganos apanho em cima. Recuando a 1969, até parece que estou de novo em Cahora-Bassa (comecou o trabalho).

Os operários envolvidos no esforço, de noite e de dia, todos sem excepção, e estes, sim, merecem uma medalha de reconhecimento público que os impulsione para o futuro e lhes compense o denodado espírito de sacrifício aplicado.

Entretanto e enquanto vou fruindo mais uma "dobradinha" à moda do Porto, se chegar lá, votarei em 2009 Rui Rio - o que espera o PSD? - na expectativa de que faça a mesma salutar limpeza em redor do seu gabinete em São Bento O exemplo espalha-se, ou melhor, o pó justo que emana do suor lícito da vida propaga-se.

Não basta o verbo tecer
poema d'ouro sobre azul;
o efeito de norte a sul
à luz terá de se ver !...




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